quinta-feira, 28 de abril de 2016

CANTO SINGELO DOS TEMPOS IDOS...








Era um travesso andorinho,
Vivia como um passarinho:
De galho em galho, de flor em flor...
Sem saber: O destino tem a dor!

E todo o sonho desde mundo
Em ínfima fração de segundo,
Não ficando algum pouco se quer
D’um instante retido  florescer.

Canto o meu sonho incontido
Saudoso, deveras combalido,
Mas, resta-me o desejo de estar
Contigo num dia sem hesitar!

E direi coisas aos seus ouvidos
Que nunca ousei tê-los ditos,
E expor com tamanha sutileza:
- Meu canto que vem da natureza!








domingo, 20 de julho de 2014

saudades do futuro

























À  FERNANDO OLIVEIRA



Já pensei reimplantar o futuro*
Reinventar a tão esperada esperança...
Ampliar, inexoravelmente, os horizontes
Alargar os espaços, que hoje são tão findos
Difundir no agora, sem o medo: a alegria
E desvendar o sentido exato da paz!

Indubitavelmente...
Com isso, reconstruiremos
Os nossos sonhos, os sorrisos,
Até aquele beijo roubado.
Todos renovaremos os espíritos
Sem distinção, pois aqueles que crêem
Encontrarão a razão de seguir o caminho...
As pegadas no chão: rumo a rota estelar;
- Deixando a obsoleta matéria à beira do destino!

E definitivamente...
O universo entrará em comunhão,
E a natureza atingirá sua perfeição,
Com uma infinta justiça derramada
Em todos os cantos e rincões da Terra!
Mas nada... Nada disso importa:
Se não nos dermos as mãos,
Se não tiver você em meu coração.


*trecho poema de Fernando Oliveira

domingo, 6 de julho de 2014

A Rosa do inicio do mundo





















A, Luís António Rossetto 





Pintem-me esse céu de amarelo canário 
E o sol de verde
Ponham o paraíso ao alcance duma nau

Transformem o homem em colhedor de frutos
A mulher em coleccionadora de flores
E os bebés em jardineiros

Rebobinem tudo a partir da primeira imagem
E saberão que o homem é filho da Rosa e do Lírio
Saído duma bebedeira de mel em combustão 

Ab-roguem deuses e mitos do mal e do bem
Abdiquem do passado e do futuro
Usem velas de linho branco no alto do vosso mastro

Naveguem nos caminhos que os poetas traçaram
Visitem os virgens jardins das crianças do amor
Concebidas pela canção dos pais da humanidade.

Fernando Oliveira

domingo, 20 de abril de 2014

Carlitos








A Carlos Roberto Rossetto, meu tio


Quero o desabrochar das flores,
Néctar roubado,
Num campo sem fim.

Quero o sorriso das crianças,
Brincando sempre,
Em qualquer jardim.

Haverá um tempo
Em que todos se abraçarão
Num picadeiro universal.

Haverá um tempo
Em que serei o palhaço:

Deus encarnado em mim.








segunda-feira, 14 de abril de 2014

bons tempos....








Bons tempos que eram...
Papagaios no ar e estilingues na mão:
Não era para matar passarinho, não!

Havia cirandas...
Com meninas de tranças
E a gente sempre contente!

Mas, hoje a modernidade chegou:
Não há mais Pierrot e Colombina
E sem perceber o tempo passou...

Onde ficou a perdida ilusão
Da nossa saudosa esperança:
Em que tudo não teria mais fim!

Bons tempos que eram:
As rosas tinham mais perfume
E as meninas mais amores...



Marília, outono de 1978.



Pierrot de Picasso:














Porta estandarte: Autoria de Geraldo Vandré e Fernando Lona


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Não haverá mais tristezas...






Há de ter neste arraiá
A distribuição da riqueza
Vencerá toda a pobreza!
E não haverá mais a tristeza
Que sucumbirá toda a alegria!
Virá de qualquer maneira
Apesar de todas as asneiras
Que encontramos neste lugar!
Haverá tanta abundância
Preenchendo todas as instâncias
E não mais faltará mais o fruto
E o pão na mesa de nossas crianças:
Daqui em diante...
Só se preocuparão em brincar,
E de ver o tempo bom por passar.
Brotando de novo, a perdida esperança:
Não reinará mais a tristeza neste lugar!

pictures by
alfredo volpi








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alfredo volpi

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sábado, 29 de março de 2014

FILHO DOS ASTROS




não sou filho do homem
 em todos os planetas
sou o filho do sol 
em todas as constelações
o germe do trigo
florescendo sem medo
o voo livre no horizonte...
sem o tempo




Luís A.Rossetto de Oliveira
Blogger A Rosa do Fim do Mundo
foto de Bruno Berretta