sábado, 5 de novembro de 2016

Balada do cosmopolita







Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho.

A. J. Muste





Minha pátria...
São todas as pátrias.
A morada do sol
Nascente do arco-íris
De todas as cores, a girar,
Em torno de tudo.

Minha pátria...
São todas as pátrias.
De todas as crianças,
Brincando no firmamento,
Em todos os lugares
Sorrindo para o sempre.

Minha pátria...
São todas as pátrias.
De todos os povos:
Palestinos, Croatas,
Incas, Guaranis,
Curdos, Armênios...

Da flor, a flor:
Não desabrochou ainda,
De todas as cores
De todas as pétalas,
Das dores latentes

De todos os mundos.



http://www.bossame.com.br/dia-das-criancas/

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O por vir...









O por vir... 


Bons tempos foram aqueles 
Que perseguíamos os amores... 
Em sua magnitude; Sempre a sorrir!

 Roubávamos sem pressa as flores
 E  as distribuíamos à todos os afetos
 Pelo caminho inesperadamente a perseguir...

Não havia nenhum tipo de rancores 
Nenhuma espécie de dores sempre 
era uma infinita primavera a surgir! 

 E seguíamos alegres em sua plenitude! 
Não havia o receio, nem fugia o tempo... 
Tudo era eterno naquele momento! 

 Se foram as flores e todos os amores 
 Ficando estas parcas lembranças 
 Com estas poucas o palavras, num singelo poema: 

Que algum dia, quem sabe... Será lido! 
 E ao declamá-los em voz candente
 Virá à tona a saudades de um tempo: 

Que surgirá instantaneamente, 
Assim de repente, quem sabe: 
deveras mente o por vir!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

CANTO SINGELO DOS TEMPOS IDOS...








Era um travesso andorinho,
Vivia como um passarinho:
De galho em galho, de flor em flor...
Sem saber: O destino tem a dor!

E todo o sonho desde mundo
Em ínfima fração de segundo,
Não ficando algum pouco se quer
D’um instante retido  florescer.

Canto o meu sonho incontido
Saudoso, deveras combalido,
Mas, resta-me o desejo de estar
Contigo num dia sem hesitar!

E direi coisas aos seus ouvidos
Que nunca ousei tê-los ditos,
E expor com tamanha sutileza:
- Meu canto que vem da natureza!








domingo, 20 de julho de 2014

saudades do futuro

























À  FERNANDO OLIVEIRA



Já pensei reimplantar o futuro*
Reinventar a tão esperada esperança...
Ampliar, inexoravelmente, os horizontes
Alargar os espaços, que hoje são tão findos
Difundir no agora, sem o medo: a alegria
E desvendar o sentido exato da paz!

Indubitavelmente...
Com isso, reconstruiremos
Os nossos sonhos, os sorrisos,
Até aquele beijo roubado.
Todos renovaremos os espíritos
Sem distinção, pois aqueles que crêem
Encontrarão a razão de seguir o caminho...
As pegadas no chão: rumo a rota estelar;
- Deixando a obsoleta matéria à beira do destino!

E definitivamente...
O universo entrará em comunhão,
E a natureza atingirá sua perfeição,
Com uma infinta justiça derramada
Em todos os cantos e rincões da Terra!
Mas nada... Nada disso importa:
Se não nos dermos as mãos,
Se não tiver você em meu coração.


*trecho poema de Fernando Oliveira

domingo, 6 de julho de 2014

A Rosa do inicio do mundo





















A, Luís António Rossetto 





Pintem-me esse céu de amarelo canário 
E o sol de verde
Ponham o paraíso ao alcance duma nau

Transformem o homem em colhedor de frutos
A mulher em coleccionadora de flores
E os bebés em jardineiros

Rebobinem tudo a partir da primeira imagem
E saberão que o homem é filho da Rosa e do Lírio
Saído duma bebedeira de mel em combustão 

Ab-roguem deuses e mitos do mal e do bem
Abdiquem do passado e do futuro
Usem velas de linho branco no alto do vosso mastro

Naveguem nos caminhos que os poetas traçaram
Visitem os virgens jardins das crianças do amor
Concebidas pela canção dos pais da humanidade.

Fernando Oliveira

domingo, 20 de abril de 2014

Carlitos








A Carlos Roberto Rossetto, meu tio


Quero o desabrochar das flores,
Néctar roubado,
Num campo sem fim.

Quero o sorriso das crianças,
Brincando sempre,
Em qualquer jardim.

Haverá um tempo
Em que todos se abraçarão
Num picadeiro universal.

Haverá um tempo
Em que serei o palhaço:

Deus encarnado em mim.








segunda-feira, 14 de abril de 2014

bons tempos....








Bons tempos que eram...
Papagaios no ar e estilingues na mão:
Não era para matar passarinho, não!

Havia cirandas...
Com meninas de tranças
E a gente sempre contente!

Mas, hoje a modernidade chegou:
Não há mais Pierrot e Colombina
E sem perceber o tempo passou...

Onde ficou a perdida ilusão
Da nossa saudosa esperança:
Em que tudo não teria mais fim!

Bons tempos que eram:
As rosas tinham mais perfume
E as meninas mais amores...



Marília, outono de 1978.



Pierrot de Picasso:














Porta estandarte: Autoria de Geraldo Vandré e Fernando Lona